segunda-feira, 14 de maio de 2012

Phoenix


Pudera a vida ser desigual como as nuvens. Talvez assim, eu pudesse me perder entre formas desconexas deixando-me levar pelo doce sabor do imprevisível. Por tentar entender, deparei-me com o inexplicável. Respostas apenas elevavam novas paredes de um labirinto sem saída. Perguntas surgiam como enigmas cada vez mais complexos e frios; por não encontrar uma forma lógica para decodificá-los, criei em mim mesmo meu próprio Vietnã. Declarei guerra á minha própria decadência e usei todas as minhas armas para lutar contra o caos causado pelas consequências. Após tortuosos confrontos, aparentemente sem fim, encontrei na simplicidade do amor uma fonte interminável de munição. Reduzindo ao pó toda negatividade, consegui visualizar melhor o meu redor, enxergando pela primeira vez o que antes pela ignorância eu era cego. Entre destroços e ruínas vi florescerem rosas cálidas; antes banhadas ao fogo, agora renascidas das cinzas em brotos de esperança.  Nuvens negras, que contornavam o horizonte sucumbiram ao calor estonteante da liberdade. O vento suavemente contornou um sólido recomeço e a percepção de poder tentar de novo tornou-se suficiente para justificar todos os esforços da batalha. Enfim, pude compreender que apenas pelo amor a dor se transforma em reinvenção, e como uma fênix ressurge das cinzas, é da decadência de perspectivas que renasce o imaculado brilho de um amanhã.

Paullo Lenore.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Frozen (Slide show)

Com carinho criei este slide show com o mensagem de meu último post: Frozen, espero que apreciem...



Paullo Lenore.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Frozen


Sob o frio da indiferença, permiti-me congelar em vulnerabilidade. Entreguei-me inteiramente à esperança, porém perdi-me no horizonte vago das circunstâncias. Meu sentimento puro pareceu sucumbir à densidade de minhas ilusões e tudo o que antes eu rotulava como válido foi reduzido ao simples moldar de uma mentira. Com o torturar do tempo pude perceber a doce vingança de um livre-arbítrio, antes por mim consagrado, mas que agora asfixia todos os esforços de um sentimento não retribuído. Pudera eu entender a capacidade humana de se render ao vazio aniquilando com insensatez, todas as escolhas que poderiam pela simplicidade fazer a diferença. Quisera eu acreditar que existem coincidências, porém vejo que na verdade elas são apenas miragens de algo supostamente desejado e refletido pelo acaso. O impossível só acontece quando o fazemos acontecer, em uma condição imutável, sendo que o possível é apenas algo contraditório e pouco duradouro. Eu poderia me entregar ao arrependimento e desejar que fatos jamais tivessem acontecido, porém prendo-me a decepção e dela extraio toda essência, até que por experiência própria ela se torne algo premeditado que nunca poderá se repetir. Entre o torpor de uma realidade hipócrita, quero manter-me sóbrio para testar com convicção os limites de minha perseverança, deixando apenas minha impotência se embriagar em covardia. Prefiro anestesiar minha imunidade a me prender a ilusão de ser inalcançável, reconheço-me fraco, porém por este reconhecimento me torno capaz de resistir a todas as adversidades que outrora puderam me atingir preenchendo minha mente com insignificância. Minha consciência não é um reflexo do meu ego; minha personalidade não me permite ser julgado; minha mente não comanda todos meus atos, mas apenas meus sonhos podem dizer exatamente quem eu sou.

Paullo Lenore.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Enigma


Pensamentos paralelos constituem em minha mente um cenário paradisíaco. Lembranças lutam de maneira caótica por uma perspectiva real, ignorando o fato de serem apenas momentos entregues ao acaso. Tentando arduamente representar imagens à velocidade de minha imaginação, o tempo se torna um ávido ladrão de matizes. Em leves segundos, os minutos criam forma, ameaçando-me com o inevitável surgir das horas. Com lágrimas a óleo, consigo criar um contraste incisivo a alegres tons de luz, como se fosse possível tornar a dor consequente ao êxtase. Com leves traços abstratos, tento disfarçar decepções sob uma imensidão de formas puras em saudade. Entre significados ocultos em formas, a realidade é deixada a um plano sem contornos, por trás de uma profusão de imagens multicores. Retoques finais dão origem a um novo conjunto de idéias, porém já se esgotaram os espaços. Com um olhar crítico, faço uma análise detalhada de minha criação e eis que me surpreendo por ter representado com fidelidade aquilo que antes parecia confuso e indescritível. Vejo momentos aparentemente eternos desfeitos em linhas de expressão. Vejo marcas de um passado remoto repleto de alegrias e traumas. Vejo nostalgia, sonhos, alegria e poder misturados em constantes pinceladas de melancolia. Vejo o passado e o presente se unirem formando um futuro ameaçador, porém ao mesmo tempo confortante. Por fim, vejo um brilho peculiar de esperança e de repente me reconheço... no inquietante olhar de meu autorretrato.

Paullo Lenore.

Leia também: Febre

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Masterpiece


Apesar de minha postura abstrata e inconsciente, consigo por hábito visualizar o que me cerca. Ao mesmo tempo em que me deixo levar por movimentos assimétricos de um espaço urbano, sinto a vida se tornar arte. Com uma performance única e intensa, funções motoras se equilibram á altos e baixos, em uma harmonia própria, onde o simples ato de existir serve como razão ao aperfeiçoamento. Acontecimentos aleatórios seguem uma frequência própria, dando origem á um ritmo excêntrico ao qual o bem e o mal sempre retornam em duplicidade àqueles que os executam. Em uma coreografia voltada a excelência, pequenas falhas são apenas lições para uma evolução com tempo incerto para expirar. Sorrisos e lágrimas concretizam a todo instante o pulsar das emoções, intensas demais para se manterem presas entre corpos biológicos. E ao redor de tantos movimentos, voltas e passos, um cenário deslumbrante, milimetricamente desenhado em contornos surreais, abraça o que chamamos imperatoriamente de lar. Inovações, saltos e cores dão sequência à grandiosa dança que apesar de improvável, segue seu curso em direção a única certeza adiante, a de um grand finale. À medida que os refletores se posicionam e os artistas se preparam para o último movimento, eis que tudo se torna estático, e após alguns insólitos segundos, tudo se recomeça, fazendo com que a vida se torne a única apresentação magnífica onde cada fim é apenas um novo começo...

Paullo Lenore.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Apatia

Além do vidro embaçado a chuva cai lentamente, em fluxos contínuos de interminável redenção. As nuvens por si só, permanecem negras e desiguais, protegendo como um manto suave, algo supostamente oculto em superioridade. À medida que gotas gélidas caem sobre superfícies expostas, espaços vazios se permitem preencher com esse precioso líquido incolor. Após preenchidos, excessos se deixam levar por afluentes que se entregam á longos rios com destino incerto...  Quem me dera ser como a chuva, e poder me entregar com liberdade ao desconhecido.  Libertando-me de todo sentimento que outrora me causara dor. Libertando-me de toda melancolia e sonhos que para mim foram como portas à meu insólito abandono. Ao preencher um singular espaço, talvez eu poderia encontrar enfim a razão de minha nobre existência, deixando para trás todos os meus porquês e anseios, estes jamais explicados até então. Enfim, eu permitiria que todos os meus excessos fossem levados por um caminho incerto, ficando em mim apenas o suficiente para que eu pudesse me sentir completo; entregando-me inteiramente à sensação tão esperada porém jamais alcançada... a sensação de não me sentir tão vazio...

Paullo Lenore

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Éden

Na minha falta de tato em perceber tua singular essência, descobri-me perdido em tua confortante magnitude. Apesar da minha condição intocável de ser, em ti encontrei o vigor necessário para preencher o vazio criado por minha auto-suficiência. Em uma conclusão tardia, percebi que minha mente já estava dominada por sua presença, e que cada pensamento era apenas um novo caminho para meu inevitável destino de mentalizar tua imagem. Confuso por minha própria fraqueza, ainda prendo-me ao orgulho de não dizer tudo que sinto olhando em seus olhos, temendo apenas que minhas palavras se percam na profundidade do seu olhar. Reconheço-me vulnerável ao efeito do seu toque, pois nele sinto o calor que aquece a incerteza de minha existência. Reconheço-me réu do seu sorriso, pois a ele me entrego em minha mais completa resignação. Sobre sua pele, sinto o aroma que me corta como uma navalha, desenhando cicatrizes em forma de lembranças que jamais poderão ser apagadas. No seu abraço, sinto como se ao todo fôssemos um só. No seu corpo, encontro os limites do meu infinito, ao mesmo tempo em que sinto o que ainda não tenho capacidade para definir. E nesse insólito frenesi, continuo minha entrega inevitável ao seu poder de inspirar-me apenas por existir, e nem que tu sejas real apenas em minha interminável fonte de delírios, sempre lhe sentirei como parte de mim mesmo, dividindo entre sensações e loucuras, um glorioso Éden...

Paullo Lenore

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Febre


A minha vontade é invulnerável como o ar com o som da minha voz; mas apesar de forte, se encontra frágil perante a densidade da razão. Escondendo sonhos da infame verdade de não poder ter tudo que estimo; sinto-me perdido entre devaneios de luxúria. Desejos me aquecem como febre queimando sobre a pele, onde o simples ato de pensar me detém como uma fonte de delírios. Sendo assim, devo àquele a quem a capacidade de sonhar me deu em excessos, o simples primor de apresentar minha devoção inconsequente; pois minha armadura de metáforas não me protege e me é vão seu uso, visto que não há como esconder-me da lógica e da obviedade. Entre poemas e retratos, imagens oníricas se confundem com a realidade em uma profusão de lembretes fantasmagóricos; fazendo com que a sede do meu querer se atormente sob o brilho do improvável. Confesso ser apenas um alvo de minha ousadia e que minha insanidade em sempre querer mais, é apenas outra armadilha de minha própria exigência doentia. Confesso que quando minha esperança se entrelaça entre o tudo e o nada, os sonhos se tornam apenas pensamentos envoltos por idéias instáveis, e o que antes pareciam ser objetivos, se tornam apenas devaneios do que poderia ser. Mas apesar de tudo, entre a dúvida de sonhar ou me tornar apenas um cético ser pensante, me prendo à idéia de que tudo pode se tornar real, ao menos em minha inesgotável imaginação. Afinal, se em meu querer tudo posso, pelo meu querer serei um eterno sonhador...

Paullo Lenore.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Insônia


Noite fria. Ruas estáticas. Coração em febre. Sentimentos confusos desconectados de qualquer racionalidade. Sentidos dilatados por doses homeopáticas de alienação, enquanto tudo ao redor se perde em contornos assimétricos. O céu sendo ameaçado por longas torres de concreto. Estrelas demonstrando o poder do infinito em contraste com paredes limitando espaços. Sob a lua que mantém as ilusões a um nível alucinógeno. Sob o silêncio onde se estende a madrugada. Pensamentos flutuam sobre fatos inexistentes e um passado que de certa forma parece irreal. A consciência gritando arrependimentos e recebendo de volta justificativas em ecos. O tic-tac do relógio em um balanço monótono de acordes repetidos. O livro jamais terminado. A música que não faz mais efeito. Tarde demais para ligar para alguém. Cedo demais para formular idéias. Pessoas e flashes retomam vida criando porquês. Desejos e planos mentalizados mais uma vez mecanicamente. Ao longe, sons desconexos surgem como lembretes de que a vida não para. A sensação de abandono ao estar sozinho em uma sobriedade doentia. A percepção fria de que ter alguém ao lado não é sinônimo de companhia e que no fim todos nós somos apenas solitários em caminhos singulares. Palavras, suspiros, versos. Momentos que se desvanecem a uma redenção premeditada ao nascer de um novo dia. Devaneios, pensamentos, indagações. Tudo parece tão distante que é difícil associá-los a fatos relevantes ao presente. E assim, todos se entregam à consciência embriagada de recomeçar um novo dia, enquanto as verdades apenas se transparecem ao calor de uma insônia...


Paullo Lenore.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mnemosine


Emudecida está minha voz
A lira não mais geme amarga e triste
Somente uma lembrança punge atroz
Sob a lágrima que na face insiste

Sorrindo em versos num sermão de pranto
Distante das breves manhãs frias
Que o silêncio se converta em canto
Preenchendo espaços com ironias

Olhares vazios sob o calor da aurora
Momentos raros de uma vida insípida
Que sejam eternos os risos de outrora
Desenhando em cores uma despedida

Quando só restam devaneios insanos
No peito a dor da perda invade
Enquanto o tempo se divide em anos
Faltam palavras para expressar saudade...


















Paullo Lenore


sexta-feira, 1 de julho de 2011

La vie en close


E assim os dias se passam... Como fontes inesgotáveis de vivacidade. Uma humanidade perdida e entregue apenas a uma seqüencia linear de acontecimentos distribuídos em dias, anos e séculos. Toda a complexidade de uma criação sendo guiada a um único objetivo de sobreviver, custe o que custar, até chegar ao fim de uma existência justificada por crenças espirituais ou biológicas. Somos desprovidos de uma imunidade física completa, vulneráveis a doenças consideradas fatais e que podem atingir a qualquer um. Tecnologias avançadas não são sinônimas de segurança. Dinheiro não pode evitar desastres naturais...  Não somos nada comparados a imensidão do universo, mas ao mesmo tempo pensamos ser o centro dele.  E mesmo assim o ser humano ainda mata por “poder”; um poder que pessoalmente julgo inexistente perante nossa insignificância. Um olhar ao redor resulta um mundo obscuro, não necessariamente pessimista; apenas uma realidade nua para quem consegue ver além sem perder a racionalidade. Uma decadência explícita, porém confortada pela arte, que ainda nos permite criar, sentir, imaginar, viver e encontrar um motivo para poder seguir em frente. Reclamar que tudo poderia ser diferente é patético. Fortes são aqueles que vivem a diferença.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

L'excessive


Trago interiormente todas as respostas para minhas aflições e dúvidas. Acorrentadas, elas permanecem presas e ocultas dentro do livro da minha existência. Livro ao qual possui páginas desgastadas, desperdiçadas, e outras nem mesmo escritas. Dentre rabiscos e palavras desconexas me perco no vão dos meus sentimentos. Verdades expostas com frieza me fazem querer fugir de mim. Numa fuga trilhada em círculos que sempre me leva de volta à minha verdadeira essência intrigante. Perco-me nos meus excessos e sempre me encontro em minha própria ausência. Seria tão mais fácil reconhecer e aceitar o que meu peito grita e minha alma chora. Sem maximizar sentimentos e me disfarçar com emoções. Porém, meu medo me cega e meu apego me emudece. Quando penso que me conheço o suficiente para medir minha coragem de admiti-lo, percebo que sou apenas um desconhecido, e que o livro de minha existência permanece aberto e estático apenas em uma introdução superficial do que ainda está por vir..