Pudera a vida ser desigual como as nuvens. Talvez
assim, eu pudesse me perder entre formas desconexas deixando-me levar pelo doce
sabor do imprevisível. Por tentar entender, deparei-me com o inexplicável.
Respostas apenas elevavam novas paredes de um labirinto sem saída. Perguntas
surgiam como enigmas cada vez mais complexos e frios; por não encontrar uma
forma lógica para decodificá-los, criei em mim mesmo meu próprio Vietnã.
Declarei guerra á minha própria decadência e usei todas as minhas armas para lutar
contra o caos causado pelas consequências. Após tortuosos confrontos,
aparentemente sem fim, encontrei na simplicidade do amor uma fonte interminável
de munição. Reduzindo ao pó toda negatividade, consegui visualizar melhor o meu
redor, enxergando pela primeira vez o que antes pela ignorância eu era cego.
Entre destroços e ruínas vi florescerem rosas cálidas; antes banhadas ao fogo,
agora renascidas das cinzas em brotos de esperança. Nuvens negras, que
contornavam o horizonte sucumbiram ao calor estonteante da liberdade. O
vento suavemente contornou um sólido recomeço e a percepção de poder tentar de
novo tornou-se suficiente para justificar todos os esforços da batalha. Enfim,
pude compreender que apenas pelo amor a dor se transforma em reinvenção, e como
uma fênix ressurge das cinzas, é da decadência de perspectivas que renasce o
imaculado brilho de um amanhã.
Paullo Lenore.










